Mundo
Europa está a derreter e a enfrentar uma onda de calor histórica
Foram emitidos alertas devido às altas temperaturas em Itália, no Reino Unido, na Alemanha, na Bélgica, em Portugal e em Espanha.
Em França, duas crianças de 2 e 4 anos morreram dentro de um carro.
Desde segunda-feira que a Europa enfrenta uma onda de calor que está a afetar particularmente França. No centro e no oeste do país, os termómetros registam as temperaturas mais elevadas para o mês de junho desde que há registos.
De acordo com a Météo-France, cidades como Rennes, Angers e Bordéus estão a ultrapassar os 40 °C, o que representa cerca de 15 °C acima da temperatura habitual para esta altura do ano. Entretanto, a agência meteorológica francesa informa que a temperatura média entre a noite e o dia em todo o país atingiu os 29,2 °C, batendo o recorde anterior estabelecido a 30 de junho de 2025.
No meio destas condições meteorológicas invulgares, duas crianças de 2 e 4 anos morreram no interior do carro da família, num parque de estacionamento residencial em Carpentras. A procuradora Hélène Mourges apontou o calor como a principal causa das mortes. Estas vítimas juntam-se aos três idosos que morreram nas suas casas no sudoeste de França, também em consequência das altas temperaturas.
De acordo com as estimativas da Météo France, 54 departamentos franceses estarão sob alerta vermelho devido ao calor extremo nesta terça-feira, o que afetará 38,8 milhões de pessoas – 90 por cento da população do país.
É preciso recuar até 2003 para encontrar uma onda de calor na Europa semelhante a esta. Há vinte e três anos, as altas temperaturas causaram 70 mil mortes em todo o continente em apenas duas semanas, 15 mil em França.
Os cientistas explicam que esta intensa onda de calor foi "significativamente agravada pelas alterações climáticas provocadas pelo homem" e salientam que, sem estas, as temperaturas atuais teriam sido entre 2 e 4 °C mais baixas.
Os especialistas alertam que as altas temperaturas provocam um aumento dos casos de insolação e, consequentemente, de afogamentos. A agência francesa de Proteção Civil registou treze mortes no mar durante o fim de semana. Este tipo de acidente também vitimou cinco pessoas na Alemanha: dois homens com 20 e 22 anos em lagos da Baviera, uma mulher de 79 anos no Mar Báltico e duas pessoas em lagos de Brandemburgo e da Renânia do Norte-Vestfália. Três crianças morreram afogadas em Tarragona, Espanha, este fim de semana.
Medidas adotadas: escolas encerradas e comboios cancelados
Existe uma diferença clara em relação ao que aconteceu durante a onda de calor de 2003. Desta vez, as previsões permitiram ao Governo francês tomar medidas preventivas, o que levou as autoridades, durante o fim de semana, a colocar os serviços de emergência e as Forças Armadas em alerta para incêndios florestais e a cancelar determinados eventos desportivos.
Embora domingo tenha sido a "Fête de la Musique", ocasião em que são organizados concertos gratuitos ao ar livre e músicos amadores saem às ruas para tocar, o governo de Macron anunciou que não seria servido álcool em eventos organizados pelo Estado nas regiões em alerta vermelho, com o objetivo de evitar distúrbios públicos e uma pressão adicional sobre os serviços de saúde.
Para fazer face a esta situação, mais de 1.300 das 60.000 escolas em França encerraram esta segunda-feira e outras 4.000 ajustaram os horários ou instalações, de acordo com o Ministério da Educação. Além disso, desde a semana passada que as escolas têm aconselhado os pais a manterem os filhos em casa ou a irem buscá-los à hora do almoço.
O setor ferroviário também foi afetado pela onda de calor extremo. As autoridades reduziram os serviços ferroviários por receio de possíveis avarias causadas pelo calor. A autoridade regional de Paris cancelou 30 por cento dos seus comboios. No domingo, a Companhia Nacional de Caminhos de Ferro Francesa aconselhou as pessoas "vulneráveis" a evitarem viajar de comboio. O resto da Europa
Mas esta onda de calor sufocante e excepcionalmente precoce não afetou apenas França. Outros países, como o Reino Unido e a Bélgica — que não estão habituados a um mês de junho tão quente — registaram temperaturas recorde.
O Met Office do Reino Unido emitiu um alerta máximo de onda de calor para o centro e o sul de Inglaterra para quarta-feira e quinta-feira, com temperaturas que poderão atingir os 40 ºC. Na Bélgica, David Dehenauw, diretor do Instituto Real de Meteorologia, alertou que esta semana poderá registar "as temperaturas mais elevadas de sempre".
No que diz respeito à Península Ibérica, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) informou que o centro e o norte de Portugal poderão registar temperaturas recorde para esta época do ano. Três distritos do norte foram colocados sob alerta laranja até terça-feira. Espanha, que está mais habituada e melhor adaptada a tais temperaturas, tem sido particularmente afetada no País Basco, onde as temperaturas poderão atingir os 40 °C, colocando a região sob alerta meteorológico vermelho. A população foi aconselhada a manter as janelas fechadas.
A AEMET espanhola emitiu um aviso a alertar para temperaturas "extremamente elevadas" para esta época do ano, que deverão manter-se até quarta-feira.
Álex Mateos / 23 junho 2026 07:02 GMT+1
Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP